Da lavoura à final de torneio do XFC, Daniel Virginio revela inspiração em irmão lutador | XFC Spotlight

 

Daniel Virginio

Da lavoura à final de torneio do XFC, Daniel Virginio revela inspiração em irmão lutador

Lutador potiguar disputa a medalha de ouro na final do torneio peso-galo do XFC diante de James Gray, em evento ainda sem data e local definidos

As adversidades superadas por Daniel Virginio dentro do hexágono do XFC não são novidades na vida do lutador. Auxiliando desde a infância na lavoura dos pais, na pequena Pureza, cidade potiguar a 65km da capital Natal, o atleta venceu a falta de oportunidade na mudança para a cidade grande e sérias lesões antes de estrear no MMA, há apenas um ano. Hoje, aos 29 anos, com três vitórias em três lutas profissionais, é finalista do GP dos galos (até 61,2kg) do XFC e enfrenta James Gray na busca pela medalha de ouro. Para chegar até o bom momento que vive, na vida pessoal e profissional, Daniel contou com a ajuda de Jorjão Rodrigues, seu irmão mais velho e também lutador de MMA.

Foi em Pureza que, aos 14 anos, Daniel Virginio teve o primeiro contato com as artes marciais. A modalidade escolhida foi o caratê, mas os treinos não foram a diante devido à falta de incentivo familiar. As dificuldades financeiras na cidade pequena fizeram o lutador tentar a sorte em Natal, logo após o nascimento de sua filha, quando havia acabado de completar 19 anos.

Na capital potiguar, Daniel trabalhava em uma gráfica quando começou a treinar MMA, em 2011, por conta própria e com ajuda de alguns amigos na garagem da casa onde morava. Até que um dos sete irmãos, o experiente lutador Jorjão Rodrigues, o acolheu na academia Kimura Nova União com a promessa de que se dedicasse 100% às artes marciais. Mesmo assim, a caminhada ainda teve percalços, com duas sérias lesões sofridas no joelho e no tornozelo, que o impediram de fazer sua estreia profissional. Em março de 2014, Vírgínio finalmente estreou com vitória sobre Stenio Barbosa, por decisão unânime dos juízes.

“Eu passei muitas dificuldades até chegar aqui. Sei que não sou o único, mas trabalhava na roça, cortando toco para plantar e colhendo o que comia. Nunca imaginei ser lutador e muito menos chegar um grande evento como o XFC. Depois que comecei a treinar duro, tudo mudou. Hoje sou um atleta. Meus pais ainda moram no interior, não tem uma condição muito cômoda, e meu sonho é poder dar a eles o mínimo de conforto”, planeja o potiguar.

Então com uma luta profissional no cartel, Daniel buscou outras fontes de renda dando aulas muai thay e boxe à espera de uma grande oportunidade. E ela não demoraria muito para aparecer. Em junho do ano passado, ele assinou contrato com o XFC e estreou pela organização norte-americana em setembro, na sexta edição do evento no Brasil. Em Araraquara, São Paulo, Daniel impressionou ao finalizar o paranaense Lerryan Douglas ainda no primeiro round do duelo, avançando às semifinais do torneio dos galos. Já em março deste ano, no XFCi 9, diante do paulistano Julio Xaropinho, mais uma atuação arrasadora e nocaute também na etapa inicial da luta para se garantir na final do GP. O sucesso é dedicado ao irmão Jorjão.

“Eu sempre sonhei lutar em um evento do nível do XFC. Antes de ser contratado, acompanhava as lutas e meu irmão comentou comigo que seria um ótimo evento para eu tentar uma chance, porque estavam dando oportunidades para lutadores de todo o país. Com muito esforço, cheguei lá, consegui vencer dois combates e agora tenho a oportunidade de conquistar a medalha de ouro do GP. Vou trabalhar duro para poder sair vencedor para dedicar tudo ao meu irmão, que sempre foi minha inspiração”, explica.

Respeito e afinidade com adversário da final

Adversário de Daniel na final, o norte-americano James Gray está invicto no MMA com quatro vitórias em quatro combates disputados. O lutador, que se credenciou à disputa após vencer o brasileiro Lucas Moraes e o mexicano Edgar Cabello, tem a simpatia do potiguar pela boa convivência durantes os eventos anteriores. Porém, na hora que a porta do hexágono fechar, a simpatia dará lugar ao respeito e à vontade de vencer.

“Lutamos nos mesmos dias pelo XFC, então estive com ele nos bastidores dos eventos. É um cara carismático e parece ser do bem, mas na hora da luta só penso na vitória, independente de quem for meu oponente. Sobre o estilo dele, sei que é um cara do jiu-jitsu, finalizador e bastante guerreiro. Busco o título que pode mudar minha vida, mas sempre respeitando-o. Não somos inimigos, e espero que seja uma luta empolgante para os fãs”, finaliza.

Sobre o XFC

Organização de grande prestígio nos Estados Unidos, o Xtreme Fighting Championships (XFC) foi criado em 2006 e se tornou um dos principais eventos de MMA (artes marciais mistas) do mundo. Com base no Michigan e escritórios em Nova York, Flórida, São Paulo e Buenos Aires (ARG), a franquia desembarcou no Brasil em fevereiro de 2014, com o XFCi e o objetivo de revelar ao mundo a nova geração de talentos do MMA mundial, nos torneios e superlutas, misturando as futuras estrelas com veteranos de talento reconhecido.

Na primeira temporada, cinco campeões foram definidos, assinaram contrato com o XFC e receberam medalhas de ouro maciço, com as inscrições “Integridade, Honra e Glória” – a missão da organização. Eles agora entram numa linha de desafiantes aos cinturões, e já têm a companhia de Poliana Botelho, recém-coroada campeã na categoria peso-mosca. Atualmente, Bruno “Macaco” Azevedo é o único dono de cinturão do evento, que realizará novas disputas ainda neste ano.

O XFC realiza uma série de ações sociais nas cidades por onde passa, conta com transmissão ao vivo pela RedeTV! para todo o Brasil e tem um programa semanal dedicado na grade da emissora. A HBO Latin America, o Terra TV e o UOL também exibem conteúdo do XFC em sua programação. www.XFCMMA.com