Guianês do XFC, Carlston Harris, supera dificuldades no Brasil e vê ‘chance da vida’ em final de torneio

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Guianês do XFC, Carlston Harris, supera dificuldades no Brasil e vê ‘chance da vida’ em final de torneio

Carlston Lindsay Harris se mudou em 2007 para o país onde veio a conhecer as artes marciais; ele se classificou para a decisão do GP peso-meio-médio do XFC

A vida do lutador do XFC Carlston Lindsay Harris renderia um enredo de novela ou até mesmo de filme. Nascido na Guiana, país do norte da América do Sul, é um dos inúmeros estrangeiros que imigraram ao Brasil em busca de uma vida melhor. Há oito anos em território brasileiro, Moçambique, como foi apelidado por sua velocidade acima da média, começa, enfim a colher frutos pelo esforço e batalha, criando uma carreira no XFC. O atleta da RFT está na final do torneio peso-meio-médio (até 77,1kg) da organização, para enfrentar Michel Demolidor em busca da medalha de ouro e uma posição entre os principais nomes da categoria no mundo.

Hoje com 27 anos e cartel de sete vitórias e apenas duras derrotas, a última delas em 2012, Carlston Harris descobriu as artes marciais em 2007, quando chegou a Manaus, depois de passar anos no estado de Roraima, na fronteira com a Guiana. Os primeiros passos foram na luta-livre e no boxe, na academia de seu mestre Junior Lopes e do irmão de Junior, Marcos Rafael, ao mesmo tempo em que conciliava os treinos com o trabalho de mecânico em uma pequena oficina da cidade.

Três anos depois, assistiu a um vídeo de BJ Penn, um dos maiores nomes da história das artes marciais mistas, e decidiu seguir carreira no esporte. Moçambique conseguiu regularizar sua situação no Brasil e foi apresentado por seus mestres ao líder da RFT, Marcio Cromado, um dos ícones da luta-livre no Brasil. Não demorou muito e, em 2011, o guianense já seguia para mais um novo lar: o Rio de Janeiro, onde vive até hoje.

“Saí do meu país em busca de uma oportunidade qualquer no Brasil, e em Manaus me apaixonei pela luta. Quando surgiu a possibilidade de ir para o Rio me profissionalizar, não pensei duas vezes. O Cromado é e sempre foi como um pai para mim, todos na RFT me receberam de braços abertos e criei uma verdadeira família. No primeiro ano tive muita dificuldade na luta de chão, mas não desanimei, continuei treinando duro e hoje estou começando a colher os frutos. Tenho certeza que tem algo de bom guardado para mim, por tudo que já passei”, sonha o lutador, que atualmente dá aulas de boxe e faz “bicos” como segurança de boate para se sustentar.

Trajetória invicta no XFC

A carreira de Carlston Harris no XFC começou em novembro de 2014, quando venceu o gaúcho Ariel Jaeger no XFCi 7, emendando sua quinta vitória seguida e avançando às semifinais do torneio dos meio-médios. No último dia 14 de março, no XFCi 9, Carlston garantiu vaga na final ao bater o paulistano Paulo César dos Santos por finalização, ainda no primeiro round. Seu adversário na decisão, que acontece no XFCi 10, será o paraense Michel Pereira, classificado após eliminar o favorito Cairo Rocha na outra semi. Para Moçambique, é apenas mais um obstáculo em sua dura vida.

“O Michel é um showman e para enfrentá-lo tenho que estar com a cabeça no lugar. Nunca tive problemas com o psicológico nas minhas lutas, então vou entrar lá e fazer o que eu treino, para tentar conquistar o título. Ele faz uns golpes que eu nunca vi, mas quando você está bem preparado, não tem que se preocupar com o adversário e sim com o que precisa fazer para vencer. Esse título pode mudar muito a minha carreira, posso ter mais oportunidades e abrir outras muitas portas, então vou atrás dessa vitória” finaliza o lutador.