Oriunda do boxe chinês, Viviane “Sucuri” Pereira supera preconceito da família e chega à final do XFC

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Oriunda do boxe chinês, ‘Sucuri’ supera preconceito da família e chega à final do XFC

Jiu-Jitsu, judô, boxe e muay thai costumam ser as modalidades mais comumente procuradas por jovens que buscam uma carreira nas artes marciais e no MMA. No caso de Viviane “Sucuri” Pereira finalista do torneio peso-palha (até 52,2kg) do XFC, a escolha foi bem incomum: o sanda, conhecido como boxe chinês e um dos componentes dos diversos estilos do kung fu, foi onde a cearense deu os primeiros passos no esporte, ainda aos 14 anos, com o treinador Marcos Batista, da Dragon Kombat, equipe que representa até hoje, com 21 anos.

Após migrar para o muai thay, fez sua primeira luta profissional de MMA em maio de 2013, e até hoje não sabe o que é derrota. No XFC, foram dois duelos com dois triunfos, sobre Fernanda Priscila, por nocaute, na sétima edição do evento no Brasil e sobre Liana Pirosin, no último mês de março, no XFCi 9. Vitória esta que lhe rendeu a chance de disputar a final do torneio peso-palha contra Vuokko Kaitainen, ainda sem data definida.

“O sanda não é muito comum no Brasil, mas assim que comecei a praticar me apaixonei pelo estilo de luta mais voltada para a defesa, que é a principal arma para atacar, na minha opinião. As artes orientais são conhecidas por trabalhar muito a parte mental e lutar com inteligência, e uma das coisas que mais destaco no meu jogo é justamente esse controle emocional. Ainda sou bem nova e sei que tenho muito a conquistar no MMA. O XFC, pela visibilidade e grandeza do evento, está sendo uma grande oportunidade e não vou deixar escapar esse título, para que as coisas continuem melhorando profissionalmente para mim”, confia.

Início escondido da família

O início, apesar de ser em uma arte pouco conhecida, não foi fugiu muito à realidade da maioria das mulheres, com muitas dificuldades e preconceito na família. Natural de Fortaleza, Sucuri, como foi apelidada pela força na luta agarrada demonstrada nos treinamentos, teve de lidar com a negativa do padrasto, que a criou e não aceitava sua escolha. Isso a obrigou a treinar escondida por diversas vezes. Hoje, com a grande visibilidade proporcionada pelo XFC, cuja transmissão acontece em TV aberta para todo o país pela RedeTV!, a atleta comemora poder buscar seu sonho com o apoio dos familiares.

“Foi muito complicado meu início de carreira. Comecei ainda uma adolescente e aqui em Fortaleza quase não havia lutadoras mulheres. Minha família não só não apoiava, como me proibia. Mesmo assim não desisti e hoje a aceitação deles já é bem maior”, conta Viviane, que revela ainda inspiração na brasileira Cris Cyborg. “Eu sempre me inspirei muito na Cyborg, no jeito agressivo dela. Quando ela fez sucesso nos eventos internacionais, eu estava começando nas artes marciais, assistia suas lutas e recarregava minhas forças para seguir na batalha para ser uma lutadora. Posso dizer com certeza que ela foi uma grande motivação para mim”.

Adversária na final do torneio, finlandesa não assusta Sucuri

A caminhada até a final do torneio peso-palha do XFC não foi fácil para Viviane, e na disputa pela medalha do ouro do torneio, ela terá pela frente mais um importante desafio. A finlandesa Vuokko Katainen chegou até o duelo após bater a húngara Dora Perjes na semifinal do GP no XFCi 9 e possui um cartel de três vitórias, duas derrotas e um empate na carreira. Sem menosprezar sua oponente, Sucuri admite ter poucas informações sobre Katainen, mas garante que nada impedirá que o título escape das suas mãos.

“Eu, sinceramente, não conheço muito o estilo de jogo dela. Até cheguei a ver o VT da luta contra a Dora, mas deu para ver pouca coisa porque a luta foi bem amarrada. Acho que já enfrentei adversárias mais experientes, sem querer menosprezá-la. Vou montar a melhor estratégia para chegar lá e dar meu melhor. Nada tira da minha cabeça que esse título virá para Fortaleza”, finaliza.